2ª Jornada

No contexto da 2ª Jornada Internacional do Tratado de Educação Ambiental na Rio+20, foi lançada a Rede Planetária do Tratado de EA, que constitui e é onstituída por redes, fóruns, organizações, movimentos sociais e coletivos afinados com os princípios do Tratado de Educação Ambiental. A Rede acolhe também os princípios e valores explicitados em documentos universais como a Declaração Universal dos Direitos Humanos, Carta da Terra, a Carta das Responsabilidades Humanas, a Declaração dos Direitos da Mãe Terra, o documento sobre “A Educação que Precisamos para o Mundo que Queremos” do GT Educación Rio+20 e o Manifesto de Sustentabilidade dos Povos Rio+20, entre outros.  Ao contrário da primeira Jornada, que teve patrocínio do ICAE, a segunda ocorreu pelo esforço dos membros de um pool de instituições brasileiras, e apoios de diversas instituições regionais e internacionais.

A atualidade do Tratado ficou evidenciada em 2006, por ocasião do V Congresso Iberoamericano de Educação Ambiental. A organização de uma nova Jornada Internacional de EA foi acompanhada da decisão de não alterar o texto do Tratado que é um documento histórico, sendo importante investir na sua divulgação e implementação em âmbito internacional. No entanto, a necessidade de inclusão de novos conceitos das emergências contemporâneas, levou à construção a várias mãos da “Carta Aberta das Educadoras e Educadores por um Mundo Justo e Feliz” que foi apresentada como documento complementar ao Tratado construído coletivamente para a Rio+20.

Carta Aberta das Educadoras e dos Educadores por um Mundo Justo e Feliz
Rio+20 na transição para Sociedades Sustentáveis

Nós, educadoras e educadores de diversos lugares do Planeta, neste momento em que o mundo novamente coloca em pauta as grandes questões que foram tratadas na Rio 92, reafirmamos nossa adesão aos princípios e valores expressos em documentos planetários como o Tratado de Educação Ambiental para Sociedades Sustentáveis e Responsabilidade Global, além da Carta da Terra, a Carta das Responsabilidades Universais, a Declaração do Rio, entre outros.

Mas só reafirmar já não basta! Transbordamos de referenciais teóricos e queremos viver de acordo com os princípios, valores, diretrizes e linhas de ações propostos nos documentos. Percebemos que o modelo de “desenvolvimento” vigente ainda aparta 80% da humanidade das condições mínimas de vida digna, da Cultura de Paz, com justiça ambiental e social.

É inadmissível que ainda tenhamos guerras, gastos com armas, um bilhão de famintos e miseráveis, falta de água potável e de saneamento para imensas parcelas da humanidade. É inadmissível a violação dos Direitos Humanos (diversidade de gênero, etnia, geracional, condição social e geográfica), a perda da diversidade de espécies, culturas, línguas e genética, a desigualdade, o lucro mesquinho, a violência urbana e todas as formas de discriminação e projetos de poder opressivos.

Manifestações em vários países são indicadores da necessidade de novas propostas de organização dos 7 bilhões de humanos. Já é uma evidencia de que a governabilidade e a governança do Planeta precisam  estar nas mãos das comunidades locais com responsabilidade global pelo Bem Comum, por todos os sistemas naturais e de suporte à vida.

Precisamos aprender e exercitar outras formas de fazer políticas públicas a partir das bordas da sociedade, das comunidades, exigindo políticas estatais comprometidas com a qualidade de vida dos povos. Para tanto, faz-se urgente fortalecer os processos educadores comprometidos com a emancipação humana e a participação política na construção de Sociedades Sustentáveis, onde cada comunidade sinta-se comprometida, incluída e ativa no compartilhamento da abundância e da Vida.

A capacidade de suporte da Mãe Terra está chegando ao limite, devido ao modo de ocupação, produção e consumo irresponsáveis do capitalismo, que se tornou o modelo econômico global, e agora também apresenta o discurso de economia verde.  Para nós, o indispensável é que a economia deve servir a visão socioambiental e os valores da vida.

Sociedades Sustentáveis são constituídas de cidadãos e cidadãs educadas ambientalmente que decidem o que para elas significam. Cada comunidade pode ver e sentir além das palavras e da semântica, mantendo seu rumo em direção à união planetária, traçando sua própria História. Retomar e apropriar-se localmente de novos conceitos, a partir da prática dialógica, potencializando comunidades aprendentes, para um sentido de pertencimento e de felicidade individual e coletiva. Assim configura-se a essência da dimensão espiritual como prática radical da valoração ética da vida, do cuidado respeitoso e do amor.

Educar a nós mesmos para Sociedades Sustentáveis significa nos situarmos em relação ao sistema global vigente, para redesenharmos nossa presença no mundo, saindo  de confortáveis posições de neutralidade. Porque a educação é sempre baseada em valores: nunca houve, não existe, nunca haverá neutralidade na educação, seja ela formal, não formal, informal, presencial ou à distância.

 A Educação para Sociedades Sustentáveis e Responsabilidade Global tem um papel fundamental para promover uma educação que priorize a precaução, prevenção e resiliência. O lugar da educação para ser efetiva, produtiva e livre está na multiplicidade de centros. Ela está no cerne da vida cotidiana, da gestão educacional, da gestão política, econômica e ambiental.

Aprendizagem Transformadora, Alfabetização Ecológica, Educação Popular Ambiental, Ecopedagogia, Educação Gaia, Educ-Ação Socioambiental são algumas delas. Todas nos remetem à necessidade de desenvolver  conhecimentos, consciência, atitudes e  habilidades necessárias para participar na construção destes novas forma de ser, de produzir, de consumir e de pertencer.

 Mais do que nunca apelamos por uma educação capaz de despertar admiração e respeito pela complexidade da sustentação da vida, tendo como utopia a construção de sociedades sustentáveis por meio da ética do cuidar e de proteger a bio e a sociodiversidade. Construção de sociedades sustentáveis, um todo complexo de natureza-sociedade-cultura-vida, em suas dimensões multifacetadas, sempre em movimento dinâmico de interdependência e diversidade para promoção do ser sustentável com a criação de espaços educadores sustentáveis, que tenham a intencionalidade de educar para a sustentabilidade.

 Neste fazer educativo, a transdisplinaridade da educação socioambiental, leva à interação entre as várias áreas da ciência e da tecnologia e as diferentes manifestações do saber popular e tradicional. Se queremos um planeta sustentável, devemos ter coragem para desadaptar criativamente, gerar descontinuidades produtivas,  transformar a cultura, as mentalidades e quebrar paradigmas  A crise nos mostra que os problemas são multicêntricos, portanto temos que ter soluções com lideranças também multicêntricas. Temos o desafio de fazermos mudanças de longo prazo para os curtos prazos políticos.

Vamos criar um Movimento-Rede que motive a segurança, supere a indiferença, o medo e a inércia paralisadora, por meio da transformação dos paradigmas, valores,  comportamentos e políticas públicas. Uma rede cuja espiritualidade seja traduzida pelo respeito ao valor-vida, aos valores compartilhados em todas as línguas, trazendo o sagrado ao cotidiano, elevando os três pilares da sustentabilidade para o patamar da utopia. Transformando a educação em campo fértil da potencia de agir, do sonho possível do Bem Viver, onde a felicidade é a verdadeira riqueza.

 

Secretaria Excecutiva da 2ª Jornada

♦ OCA – Laboratório de Educação e Política Ambiental / USP-ESALQ

♦ Instituto ECOAR par a Cidadania

♦ Instituto Paulo Freire

♦ Instituto de Comunicação Solidária

♦ Supereco – Instituto de educomunicação socioambiental

♦ CEAG – Centro de Educação Ambiental de Guarulhos

♦ Rede Brasileira de Educação Ambiental-REBEA

♦ Rede de Jovens pelo Meio Ambiente – REJUMA

Um Comitê Facilitador Internacional foi criado  em junho de 2012, na primeira reunião preparatória da Cúpula dos Povos, Rio+20.
Ele iniciou composto pelas seguintes entidades de caráter global ou regional:

♦ ICAE- International Council for Adult Education

♦ BKWSU – Universidade Espiritual Mundial Brahma Kumaris

♦ CEAAL- Consejo latinoamericano de educación de Adultos

♦ REPEM – Red Latinoamericana de Educación Popular entre Mujeres

♦ RELEA – Rede Lusófona de Educação ambiental

♦ SIGLO XXIII – Movimento de educação pela justiça ambiental

♦ CLADE – Comite Latinoamericano de Educação

♦ NEREA – Rede Internacional de Pesquisa em Educação Ambiental

♦ ASPEA- Associação Portuguesa de Educação Ambiental

♦ ASPBAE – Asia and South Pacific Association on lityeracy and adult education

♦ TWC – Circulo dos Tratados dos Povos pelo Desenvolvimento Sustentável

♦ SABER Y CUIDAR – Centro de Saberes e Cuidados Socioambientais da Bacia do Prata

♦ Center For  Environmental Concerns (Filipinas)

♦ Climate justice Network (India)

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